Edifício construído no Segundo Reinado e considerado símbolo das comunicações brasileiras será leiloado por mais de R$ 53 milhões após sequência de prejuízos da empresa
Um dos maiores símbolos da história dos Correios no Brasil será colocado à venda pelo Governo Lula em meio ao cenário de forte crise financeira enfrentado pela estatal. O antigo prédio do Correio Geral, localizado na Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio de Janeiro, será leiloado no próximo dia 30 de julho, em uma decisão que tem gerado críticas de setores que questionam a condução da empresa pela atual gestão federal.
Construído ainda durante o Segundo Reinado, o edifício foi projetado para abrigar os serviços postais brasileiros e, por quase um século e meio, esteve diretamente ligado à imagem dos Correios. A venda do imóvel histórico ocorre em um momento em que a estatal acumula prejuízos bilionários e enfrenta um dos períodos financeiros mais difíceis de sua trajetória.
Críticos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontam que a deterioração dos resultados dos Correios evidencia problemas de administração e cobram explicações sobre as decisões tomadas pelo governo para recuperar a empresa.
O prédio, que integra o conjunto histórico protegido do Centro do Rio, possui aproximadamente 9 mil metros quadrados de área construída e ocupa um quarteirão inteiro entre as ruas Primeiro de Março, do Rosário, Visconde de Itaboraí e Travessa Tocantins, próximo ao CCBB e à Praça XV.
O valor inicial estabelecido para o leilão é de R$ 53,5 milhões. Caso não haja interessados nas primeiras etapas, o imóvel poderá ser oferecido posteriormente por cerca de R$ 47,8 milhões.
A decisão acontece após uma sequência de resultados negativos dos Correios. A empresa registrou lucros entre 2019 e 2021, mas voltou ao vermelho a partir de 2022. Em 2024, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 2,45 bilhões, enquanto em 2025 as perdas teriam alcançado cerca de R$ 8,46 bilhões.
O edital informa ainda que o imóvel possui pendências relacionadas à regularização registral e divergências entre dados do cadastro municipal e do registro imobiliário. A responsabilidade pela solução dessas questões ficará com o futuro comprador.
Mesmo vendido, o prédio continuará protegido pelas normas de preservação histórica. Qualquer reforma, mudança de finalidade ou projeto de revitalização dependerá da aprovação dos órgãos responsáveis pelo patrimônio cultural.
Para defensores da alienação, a iniciativa privada pode representar uma oportunidade de recuperação e valorização do espaço. Já para críticos da gestão Lula, a venda de um dos maiores símbolos dos Correios representa o reflexo de uma crise administrativa que levou a estatal a se desfazer de parte do seu patrimônio histórico.
O leilão abre um debate que vai além do valor financeiro do imóvel: a discussão envolve o papel do Estado na preservação de símbolos nacionais e os caminhos escolhidos pelo governo para enfrentar a crise de uma das empresas públicas mais tradicionais do país.



























