A tensão entre a Secretaria Municipal de Educação e parte da Câmara Municipal de Várzea Grande ganhou novos capítulos nesta semana. Em resposta às fiscalizações realizadas por vereadores em depósitos da pasta, incluindo uma ação que contou com a presença da Politec no Anexo II da Educação, a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda de Figueiredo, partiu para o contra-ataque e acusou alguns parlamentares de promoverem um verdadeiro “circo” político em torno da situação dos uniformes escolares.
Ao comentar a repercussão das visitas aos barracões da Educação, a secretária afirmou que os vereadores receberam esclarecimentos detalhados sobre a origem e a destinação dos uniformes encontrados em estoque, mas que essas informações não teriam sido divulgadas à população da mesma forma.
Segundo ela, a narrativa apresentada nas redes sociais e em parte das manifestações públicas omitiu explicações importantes fornecidas pela Secretaria.
“Infelizmente alguns querem fazer circo com essas informações”, disparou.
A declaração eleva o tom do embate entre Executivo e Legislativo e sugere que, na avaliação da gestora, parte da fiscalização estaria sendo utilizada mais para gerar repercussão política do que para esclarecer os fatos.
Maria Fernanda afirmou que enquanto a Secretaria buscava explicar tecnicamente o reaproveitamento dos uniformes e a economia de recursos públicos, alguns parlamentares teriam preferido explorar o tema de forma sensacionalista.
A secretária também demonstrou irritação com o que considera acusações feitas sem comprovação. “Não é porque é vereador que pode falar o que quer”, afirmou, acrescentando que pretende cobrar provas de todas as denúncias e declarações feitas contra sua gestão.
“Espetáculo político”
Embora não tenha citado diretamente todos os parlamentares envolvidos nas fiscalizações, a secretária deixou claro que vê uma tentativa de transformar questões administrativas em um embate político.
Para ela, a exposição pública dos depósitos, dos uniformes armazenados e das ações da Secretaria acaba atingindo diretamente a rede municipal de ensino e os próprios estudantes.
“O que é triste de ver é uma Câmara onde alguns, não todos, querem fazer circo com essas informações”, declarou.
A fala foi interpretada nos bastidores como uma das críticas mais duras já feitas pela titular da Educação contra integrantes do Legislativo municipal desde o início da atual gestão.
“Quem acusa tem que provar”
Outro ponto que elevou a temperatura do debate foi a resposta da secretária às insinuações feitas durante as fiscalizações e às declarações envolvendo seu irmão, o vereador Carlinhos Figueiredo.
Maria Fernanda afirmou que agentes públicos, sejam vereadores ou secretários, devem responder pelos próprios discursos e apresentar provas quando fazem acusações públicas.
“Assim como eu preciso provar tudo o que falo como secretária, eles também terão que provar tudo o que disseram”, afirmou.
Disputa deve continuar
Longe de encerrar a polêmica, as declarações da secretária indicam que o confronto entre a Educação e parte dos vereadores está apenas começando. Enquanto os parlamentares sustentam que a fiscalização é uma obrigação do Legislativo, a Secretaria argumenta que há exageros, distorções e exploração política do tema.
No centro da disputa estão milhares de uniformes armazenados, questionamentos sobre a gestão dos materiais públicos e uma guerra de versões que promete continuar movimentando os bastidores da política várzea-grandense nas próximas semanas.

























