OPERAÇÃO GEMINI

PF mira desembargador e deputado de MT em investigação sobre suposta venda de sentenças

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A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, que investiga um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A ação tem como alvos o desembargador afastado Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro.

 

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Segundo a PF, o grupo é suspeito de envolvimento em crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e ocultação de patrimônio.

 

INVESTIGAÇÃO APONTA MOVIMENTAÇÃO MILIONÁRIA

 

De acordo com informações da investigação, o caso teve origem a partir da análise de dados de celulares apreendidos em operações anteriores e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de apurações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

O desembargador afastado é apontado por movimentações financeiras incompatíveis com sua renda, que somariam cerca de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, segundo dados levantados pelos órgãos de controle.

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As investigações também identificaram depósitos e saques em dinheiro vivo que ultrapassariam R$ 3,2 milhões, além de transferências consideradas suspeitas envolvendo empresas do agronegócio com processos em tramitação no TJMT.

 

CONVERSAS E POSSÍVEL INTERMEDIAÇÃO

 

Um dos pontos centrais da apuração envolve conversas e vínculos entre o deputado Faissal Calil e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, cujo celular teria revelado uma rede de influência em decisões judiciais.

 

Segundo a PF, Faissal é apontado como possível intermediário e operador financeiro do esquema, sendo responsável por movimentações patrimoniais, aquisição de imóveis e pagamento de despesas ligadas ao magistrado investigado.

 

A investigação também cita que a relação entre os envolvidos teria origem anterior à atuação política do deputado, quando ele trabalhou no gabinete do desembargador.

 

DEFESA E SITUAÇÃO ATUAL

 

Durante a operação, o deputado afirmou ter entregue celular e senhas aos agentes e negou envolvimento com irregularidades, alegando que não mantém contato com o magistrado desde que deixou o Tribunal de Justiça.

 

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O desembargador Dirceu dos Santos já estava afastado desde março por decisão do CNJ, após indícios de evolução patrimonial incompatível com seus rendimentos.

 

ENTENDA

 

A Operação Gemini é considerada um desdobramento de investigações mais amplas que apuram possíveis irregularidades no sistema judiciário, com foco em influência indevida, corrupção e uso de intermediários para ocultação de valores.

 

A Polícia Federal segue analisando o material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos.

 

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