Representantes do Instituto Jaiminho participaram da 23ª edição do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá (Cinemato), realizada entre os dias 29 de junho e 5 de julho, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A visita teve como objetivo conhecer a produção audiovisual e promover reflexões sobre temas que fazem parte da realidade mato-grossense, evidenciando o potencial da arte e da cultura como instrumentos de conscientização e transformação social.
Nesta edição, o Cinemato contou com uma sessão dedicada às produções universitárias, exibindo obras desenvolvidas pelos estudantes do primeiro semestre do curso de Cinema e Audiovisual da UFMT. Orientados pela professora Cláudia Moreira, os acadêmicos produziram dois curtas-metragens, cujo tema refletiu uma discussão recorrente nos noticiários do estado: a violência contra a mulher. “Como educadora, acredito que a educação pode mudar a vida das pessoas. Debater esse tema com os jovens é fundamental, e essa discussão precisa chegar às escolas. Além dos filmes, os debates ajudam a formar consciência”, afirmou.
Os estudantes envolvidos na produção destacaram o impacto da experiência. Gabriel Salgado contou que o grupo realizou pesquisas para construir um roteiro centrado na importância da rede de apoio às mulheres após a denúncia de violência. “Queríamos mostrar que nenhuma mulher precisa enfrentar essa situação sozinha. Foi uma experiência maravilhosa, tanto na pesquisa quanto na produção”, disse. Já Eduarda de Branco, de 18 anos, que atuou como atriz, roteirista e diretora de fotografia, afirmou que trabalhar com o tema foi desafiador e necessário.
“As mulheres já vivem em estado de alerta. Transformar esse sentimento em uma produção audiovisual é uma forma de dar voz a essa realidade e provocar reflexão”, destacou. Maria Fernanda Arruda, de 19 anos, também ressaltou o caráter social da iniciativa. “Nosso objetivo foi mostrar às mulheres que elas nunca estão sozinhas e incentivar a busca por ajuda. É um assunto delicado, mas precisa ser discutido. Quando a imagem, o som e a narrativa são utilizados da forma certa, conseguem sensibilizar as pessoas e gerar transformação”, afirmou.
Para a coordenadora-geral do Instituto Jaiminho, Odilza Costa, a participação no festival reforçou a importância da arte como ferramenta de transformação social. Segundo ela, o instituto atende crianças e adolescentes de 10 a 17 anos em situação de vulnerabilidade social e econômica, oferecendo atividades como música e teatro.
“A arte é um dos instrumentos mais poderosos para transformar vidas. Ela desenvolve autoestima, disciplina, sensibilidade e prepara esses jovens para a vida em sociedade. Muitos chegam emocionalmente fragilizados e, por meio da cultura, descobrem novos caminhos”, explicou.
Odilza também defendeu que o respeito às mulheres deve ser construído desde a infância. “A prevenção começa com a educação. As crianças precisam aprender, desde cedo, valores como respeito e igualdade. A arte e a cultura são caminhos fundamentais para essa formação. O que vimos no Cinemato mostra como a universidade pode contribuir para esse debate, aproximando os jovens de temas urgentes e ajudando a construir uma sociedade mais consciente e menos violenta”, concluiu.
O professor de teatro do Instituto Jaiminho, Té Ribeiro, também ressaltou o papel transformador da arte. “A arte é um espelho para que a sociedade possa se enxergar. É muito importante apresentar essa realidade para que cada pessoa possa refletir sobre si mesma e rever as próprias atitudes”,
afirmou.

























