No embate entre exposição e crítica nas redes sociais, o que se vê é uma contradição constante: quem condena o uso da internet para promoção pessoal também usa as plataformas para atacar e se promover
A política contemporânea vive um paradoxo cada vez mais evidente: ao mesmo tempo em que parte dos agentes públicos critica o chamado “político de TikTok” — aqueles que utilizam redes sociais para divulgar ações, discursos e presença pública — esses mesmos críticos também recorrem às plataformas digitais para ganhar visibilidade, fazer denúncias e reforçar narrativas políticas.
O resultado é uma dinâmica marcada por contradições. A crítica à exposição digital muitas vezes não vem acompanhada da recusa ao próprio uso das redes, mas sim da disputa por um outro tipo de engajamento: aquele que tenta desqualificar o adversário pelo meio que ele próprio utiliza.
Nesse cenário, as redes sociais deixam de ser apenas um canal de comunicação e passam a ser um campo de disputa simbólica, onde a coerência muitas vezes é deixada em segundo plano. O “problema” não é exatamente estar nas redes, mas quem está e como está ocupando esse espaço.
Outro ponto que chama atenção é o papel dos grupos de apoio mais fiéis, que atuam de forma intensa na defesa de seus representantes políticos. Esses apoiadores — muitas vezes organizados de maneira espontânea ou em torno de lideranças digitais — também utilizam as redes para rebater críticas, reforçar discursos e atacar adversários, reproduzindo a mesma lógica de exposição que é alvo de crítica.
Na prática, o ambiente digital acaba se tornando um espelho da própria política: cada lado acusa o outro de excessos enquanto faz uso das mesmas ferramentas para se manter relevante no debate público.
No fim, a discussão sobre “políticos de rede social” talvez diga menos sobre o meio e mais sobre a forma como a política se adaptou a ele — onde a coerência disputa espaço com a visibilidade, e a crítica muitas vezes caminha lado a lado com aquilo que ela própria condena.
























