IDOSO

Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa

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O dia 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, uma data criada para alertar a sociedade sobre os diferentes tipos de violência que atingem essa população e reforçar a importância da promoção do respeito, da dignidade e dos direitos das pessoas idosas.

 

Embora a violência física seja frequentemente associada aos maus-tratos contra idosos, especialistas alertam que as formas mais comuns de violência costumam ser silenciosas e, muitas vezes, naturalizadas no cotidiano. Entre elas estão a violência psicológica, a negligência, o abandono e o preconceito relacionado à idade, conhecido como etarismo.

 

O combate à violência e ao preconceito contra a pessoa idosa é uma das prioridades da Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), iniciativa lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com governos, instituições de saúde e organizações da sociedade civil em todo o mundo. A estratégia foi criada diante do acelerado envelhecimento populacional observado globalmente e busca promover ações que garantam mais saúde, participação social, segurança e qualidade de vida para as pessoas idosas.

 

Entre as prioridades estabelecidas pela OMS está o enfrentamento do etarismo, definido como os estereótipos, preconceitos e discriminações baseados na idade. Em relatório publicado pela organização, o combate ao etarismo é apontado como uma ação fundamental para a construção de sistemas de saúde mais inclusivos e para a garantia dos direitos da população idosa.

 

Idade não define capacidade

 

A fisioterapeuta do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT/HU Brasil), especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Mato Grosso (SBGG-MT), Francielle Fialkoski Molina, destaca que o cuidado deve ser centrado na pessoa idosa e explica que o envelhecimento não pode ser analisado apenas pela idade cronológica.

 

“Geralmente, quando pensamos em violência, a primeira imagem que surge é a da violência física. Porém, quando falamos da população idosa, a violência psicológica e o preconceito costumam ser mais frequentes. Na área da saúde, isso pode aparecer quando deixamos de investigar adequadamente um paciente apenas por causa da idade. O que realmente deve ser considerado no envelhecimento são os aspectos funcionais. A idade é apenas um número”, destaca.

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Segundo a especialista, um dos exemplos mais comuns do etarismo ocorre quando sintomas apresentados pela pessoa idosa são tratados como consequências naturais do envelhecimento.

 

“Dor, perda de memória, cansaço, dificuldade para caminhar ou alterações de mobilidade não devem ser considerados normais apenas porque a pessoa envelheceu. São sintomas que precisam ser investigados e, quando necessário, tratados adequadamente”, afirma.

 

A fisioterapeuta também chama atenção para discursos que associam a idade avançada à perda de valor social ou ao fim da vida.

 

“Às vezes ouvimos frases como ‘já viveu bastante’ ou ‘agora chegou a hora’. Mas o tempo de vida de uma pessoa não pode ser determinado pela idade. A longevidade é uma realidade da sociedade atual e envelhecer não significa deixar de ter projetos, direitos ou perspectivas”, ressalta.

 

Respeito à autonomia e às decisões

 

Outro aspecto fundamental a ser destacado é o respeito à autonomia da pessoa idosa. Sempre que houver preservação da capacidade cognitiva, as decisões relacionadas à própria vida e aos cuidados de saúde devem ser tomadas pela própria pessoa.

 

“O cuidado precisa fazer sentido para a pessoa idosa. A família tem um papel importante e deve participar do processo, mas as decisões precisam respeitar a vontade e a autonomia de quem está recebendo o cuidado”, explica Francielle.

 

Francielle ressalta que a própria Organização Mundial da Saúde reconhece o enfrentamento do etarismo como uma prioridade global.

 

“A Organização Mundial da Saúde reconhece o combate ao etarismo como uma das ações prioritárias da Década do Envelhecimento Saudável. Precisamos compreender que envelhecer não significa perder autonomia, capacidade de decisão ou direito ao cuidado. Combater preconceitos relacionados à idade é fundamental para garantir um envelhecimento digno, saudável e com qualidade de vida”, destaca.

 

A fisioterapeuta também alerta para expressões frequentemente utilizadas no cotidiano que podem reforçar estereótipos negativos.

 

“Termos como ‘vózinha’, ‘vôzinho’, ‘coitadinho’ ou comentários que associam a velhice à incapacidade carregam preconceitos. A pessoa idosa continua sendo uma pessoa adulta, com história, direitos, opiniões e capacidade de participação social”, afirma.

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Acolhimento e proteção

 

No Hospital Universitário Júlio Müller, a identificação e o acolhimento de situações de vulnerabilidade fazem parte do trabalho multiprofissional desenvolvido junto aos pacientes e familiares.

 

A assistência social do HUJM-UFMT/HU Brasil, atua há anos no acompanhamento e encaminhamento de situações de violência e vulnerabilidade social, e reforça a importância da denúncia e do fortalecimento das redes de proteção para garantir a segurança e os direitos das pessoas idosas.

 

Casos de abandono, negligência, violências psicológicas, financeiras, patrimoniais ou físicas devem ser comunicadas aos órgãos competentes para que sejam adotadas medidas de proteção e acompanhamento.

 

Uma sociedade que envelhece

 

O aumento da expectativa de vida é uma realidade cada vez mais presente no Brasil e no mundo. Diante desse cenário, defendemos a construção de uma cultura baseada no respeito, na inclusão e na valorização das pessoas idosas.

 

 

 

Mais do que combater a violência física, o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa convida a sociedade a refletir sobre atitudes cotidianas que podem limitar direitos, desconsiderar escolhas e comprometer a dignidade de quem envelhece.

 

Promover o envelhecimento saudável significa garantir autonomia, participação social, acesso à saúde, proteção contra a violência e respeito às diferenças em todas as fases da vida.

 

Em casos de suspeita ou confirmação de violência contra a pessoa idosa, a denúncia pode ser feita pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos.

 

 

 

Sobre a HU Brasil

 

O HUJM-UFMT faz parte da Rede HU brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou

a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

 

 

 

 

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