A pouco mais de três meses das eleições presidenciais, Mato Grosso será palco, no próximo sábado (20), de duas agendas políticas com forte potencial de impacto eleitoral. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no estado para a entrega de obras ligadas à ferrovia estadual. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, participa da 29ª edição da Marcha para Jesus, em Cuiabá.
As duas agendas ocorrem no mesmo dia e em ambientes considerados estratégicos para a disputa presidencial. Enquanto Lula busca ampliar sua interlocução com o setor produtivo e o agronegócio mato-grossense, tradicionalmente alinhado à direita, Flávio Bolsonaro reforça a presença do grupo político bolsonarista junto ao eleitorado evangélico, uma das bases mais fiéis do conservadorismo no país.
A agenda do presidente prevê a entrega da primeira fase da ferrovia estadual e do terminal da BR-070, em uma região que engloba os municípios de Dom Aquino, Campo Verde e Primavera do Leste. O investimento em infraestrutura logística é visto como uma tentativa de estreitar relações com o agronegócio, principal motor econômico de Mato Grosso e setor que, historicamente, demonstra forte apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A escolha da região não passa despercebida por analistas políticos. Além da relevância econômica, o local concentra importantes polos de produção agrícola e lideranças do setor produtivo, cuja influência costuma extrapolar os limites estaduais.
Já em Cuiabá, Flávio Bolsonaro participará da Marcha para Jesus, um dos maiores eventos religiosos do estado. A mobilização reúne milhares de fiéis, pastores e lideranças políticas, consolidando-se como um espaço de grande visibilidade para representantes ligados às pautas conservadoras e aos valores defendidos por parte significativa do eleitorado evangélico.
Com a presença simultânea de representantes dos dois principais grupos políticos que disputam a preferência do eleitorado nacional, a expectativa é de que lideranças regionais e possíveis candidatos ao governo de Mato Grosso aproveitem a ocasião para marcar posição e fortalecer alianças.
Na prática, o próximo sábado deve servir como uma prévia da disputa presidencial no estado. De um lado, o governo federal tenta avançar em um território considerado desafiador para o PT. Do outro, o bolsonarismo busca manter sua influência em uma das unidades da federação onde o movimento conserva forte apoio popular.





























