Apesar de viver há mais de 30 anos em Várzea Grande e afirmar conhecer de perto os problemas históricos do município, o deputado estadual Fabinho Tardin tem sido alvo de críticas por não destinar nenhum recurso ao Departamento de Água e Esgoto (DAE), justamente no momento em que a crise hídrica se consolida como uma das maiores dores da população.
Fabinho costuma destacar que já garantiu mais de R$ 14 milhões em emendas parlamentares diretas ao município, além de outros R$ 10 milhões viabilizados por meio de articulações junto ao Governo do Estado. Os recursos contemplam áreas como saúde, educação, cultura, agricultura familiar, esporte e lazer. No entanto, nenhuma dessas cifras foi direcionada para o DAE, autarquia responsável por um sistema de abastecimento considerado falido, marcado por falta de água constante, redes antigas, vazamentos e sucessivos colapsos.
Na área da saúde, o deputado teve participação na viabilização de um aparelho de ressonância magnética para o Pronto-Socorro, além de cadeiras odontológicas, mutirões e ampliação de cirurgias eletivas, com mais de R$ 2 milhões investidos. Também articulou recursos para reforma do telhado do Pronto-Socorro e defendeu a construção de um novo hospital, além de garantir a inclusão da obra do Instituto Médico Legal no orçamento estadual, prevista para 2026. “É uma vitória para a população de Várzea Grande e uma bandeira do meu mandato que agora vai sair do papel”, declarou o parlamentar sobre o IML.
Embora os investimentos em saúde e infraestrutura sejam relevantes, a ausência total de recursos para o saneamento básico chama atenção. Em uma cidade onde bairros inteiros convivem com torneiras secas, caminhões-pipa e reclamações diárias, a falta de prioridade ao DAE reforça a percepção de desconexão entre o discurso político e a realidade enfrentada pela população.
Fabinho também destaca ações sociais, eventos comemorativos, instalação de playgrounds, academias ao ar livre, cursos de capacitação e a manutenção de um gabinete regional em Várzea Grande. “Os recursos destinados e cada ação desenvolvida têm um propósito claro: retribuir o carinho e a confiança da população”, afirmou o deputado. Ainda assim, moradores questionam por que o problema mais básico da cidade, o acesso à água, segue fora da lista de prioridades do mandato.
A crise hídrica em Várzea Grande não é recente, mas se agravou nos últimos anos, exigindo investimentos pesados em captação, tratamento, reservação e modernização da rede. A ausência de qualquer emenda ou articulação específica para o DAE levanta críticas sobre a escolha política do deputado, que conhece a realidade local, mas optou por direcionar recursos a áreas visíveis e de maior retorno político, deixando de lado uma demanda essencial para a dignidade da população.
Diante do cenário, cresce a cobrança para que Fabinho Tardin explique por que, mesmo com forte atuação orçamentária no município, a água, um direito básico, segue fora do alcance das prioridades do seu mandato.



























