O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amaury Monge, participou de uma audiência na Câmara Municipal a convite do vereador Lilo Taques, nesta semana, e rebateu as acusações feitas pelo prefeito Abilio Brunini sobre supostas irregularidades em contratos da pasta.
Durante sua fala, o ex-gestor negou a existência de contratos no valor de R$ 80 milhões e criticou as informações divulgadas pela atual administração.
“Nem existe livro de 800 reais no mercado. É mais uma falácia. É falácia de quem não conhece nada da educação moderna”, afirmou.
Amaury Monge defendeu o modelo de aquisição de materiais adotado na gestão anterior e disse que o sistema atual de ensino envolve mais do que livros físicos, incluindo plataformas digitais e formação continuada.
“Educação moderna você não compra livros. Você compra solução pedagógica. Você tem material do aluno, material do professor, plataforma de apoio, formação continuada e processos avaliativos digitais ou analógicos”, declarou.
O ex-secretário também citou resultados pedagógicos obtidos durante sua gestão, afirmando que houve avanço na aprendizagem dos estudantes.
“Foi assim que, de maio do ano passado pra cá, a gente conseguiu recuperar a aprendizagem das nossas crianças”, disse.
Ao rebater diretamente as acusações sobre valores e contratos, Monge foi enfático:
“Não existe nenhum contrato de 80 milhões. É um absurdo ir ao meio público e falar isso. Não existe contrato de 80 milhões.”
Ele ainda afirmou que os processos de compra da Secretaria Municipal de Educação seguiam trâmites legais, envolvendo setores técnicos e jurídicos da administração municipal.
“Quem faz a demanda é a Educação, mas isso passa pela SAELC, pela Procuradoria-Geral do Município. Toda aquisição foi feita dentro do fluxo administrativo jurídico correto”, explicou.
O ex-secretário também acusou a atual gestão de tentar desviar o foco de problemas fiscais mais amplos da Prefeitura.
“É uma tentativa de colocar uma cortina de fumaça no problema fiscal que a Prefeitura está passando”, afirmou.
Durante sua fala, Monge citou ainda atrasos em pagamentos a fornecedores e dificuldades em outras áreas da administração, mencionando dívidas com empresas de cartões, uniformes e contratos de frota.
Segundo ele, há um cenário de desequilíbrio financeiro mais amplo no município, que não se restringiria à área da Educação.
“A dívida com fornecedores está lá, o atraso de pagamentos também. Não dá para isolar a Educação como se fosse o único problema”, disse.
Ao comentar a prática de restos a pagar entre gestões, o ex-secretário afirmou que o mecanismo é previsto na administração pública, desde que haja planejamento financeiro.
“Restos a pagar não são irregulares. Isso depende de planejamento e será avaliado pelos órgãos de controle”, concluiu.
A audiência ocorreu em meio ao aumento da tensão política entre integrantes da gestão atual e ex-gestores da área da Educação em Cuiabá, após denúncias e apurações envolvendo contratos da secretaria.

























