O agente da Polícia Federal investigado por supostamente intimidar estudantes envolvidos nas denúncias relacionadas à lista que classificava alunas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) como “estupráveis” segue afastado de suas funções por licença médica e ainda não prestou depoimento à corporação.
Pai de um dos estudantes apontados nas investigações sobre a criação e disseminação da lista, o servidor também responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), instaurado para apurar sua conduta após uma visita ao campus universitário que teria causado preocupação entre estudantes e familiares.
Segundo informações apuradas no caso, o policial teria ido à universidade após registrar um boletim de ocorrência alegando que seu filho estaria sendo ameaçado por outros alunos. Imagens do sistema de segurança da instituição registraram sua circulação pelos corredores do campus.
Durante as investigações administrativas, a arma funcional do servidor foi recolhida. O depoimento à Corregedoria deverá ocorrer somente após o término do afastamento médico, que ainda não possui data definida.
O episódio ocorre em meio às apurações sobre a divulgação de mensagens atribuídas a estudantes da UFMT, nas quais eram feitas referências a um suposto ranking de alunas consideradas “mais estupráveis”. O conteúdo provocou forte reação da comunidade acadêmica, resultando em manifestações, pedidos de providências e abertura de investigações.
Um estudante do curso de Direito chegou a ser afastado das atividades acadêmicas após ser apontado como um dos envolvidos na elaboração da lista. Além das mensagens divulgadas nas redes sociais, áudios compartilhados em grupos de conversa também passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades.
O caso motivou a instauração de um procedimento administrativo para apurar possíveis crimes relacionados às mensagens que sugeriam intenção de violência sexual contra estudantes da universidade. As investigações buscam esclarecer a participação dos envolvidos e identificar eventuais responsabilidades.
Em paralelo, a universidade adotou medidas de acompanhamento e reforço à segurança dentro do campus. Representantes da instituição também participaram de reuniões com autoridades responsáveis pelas investigações para discutir ações de proteção aos estudantes.
O Ministério Público determinou que a UFMT apresente informações sobre as providências internas adotadas em relação ao caso. Entidades estudantis também foram acionadas para encaminhar documentos, registros e demais elementos que possam contribuir com as investigações.
A Polícia Civil já identificou um dos suspeitos relacionados às ameaças denunciadas por estudantes, que deverá ser ouvido no decorrer das apurações. Enquanto isso, o caso continua gerando repercussão e mobilização dentro da comunidade acadêmica, que cobra responsabilização dos envolvidos e medidas efetivas para garantir a segurança no ambiente universitário.


























