O clima nos bastidores da Câmara Municipal de Várzea Grande esquentou de vez e já há vereadores classificando a situação como um verdadeiro “tapetão legislativo”. No fim da tarde desta segunda-feira (25), o vereador Caio Cordeiro (Novo) usou as redes sociais para denunciar um suposto boicote político contra um projeto de sua autoria relacionado aos maus-tratos contra animais.
Em vídeo publicado na internet, o parlamentar apresentou documentos e datas da tramitação da proposta, afirmando que o texto ficou parado por meses dentro da Casa de Leis, apesar de ter recebido parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O projeto apresentado por Caio em abril de 2025 previa que pessoas responsáveis por maus-tratos fossem obrigadas a custear o tratamento veterinário dos animais agredidos.
Segundo o vereador, após avançar inicialmente nas comissões, a proposta teria começado a enfrentar resistência política ao chegar na Comissão de Meio Ambiente, onde permaneceu sem votação entre maio e setembro de 2025. Posteriormente, recebeu parecer contrário sob justificativa de necessidade de revisão.
“Chegou um documento pronto para mim, como se eu tivesse feito, pedindo para eu assinar e retirar do meu próprio projeto. Claro, eu não assinei”, afirmou Caio durante a publicação.
A polêmica ganhou ainda mais força após entrar na pauta da sessão desta terça-feira (26) um novo projeto com praticamente a mesma essência: obrigar autores de maus-tratos a arcarem com despesas decorrentes da agressão aos animais.
A nova proposta é de autoria do vereador Wender Madureira (Republicanos).
O detalhe que aumentou o desconforto político dentro da Câmara é que, no projeto original apresentado por Caio em 2025, o vereador Wender havia sido convidado para assinar conjuntamente a matéria. Já no texto que agora avança rapidamente para votação, apenas o nome de Wender Madureira aparece como autor.
“A ideia mudou ou o que mudou foi apenas quem ficou com protagonismo?”, questionou Caio.
Nos bastidores do Legislativo, o episódio passou a ser associado diretamente à divisão política criada após a disputa pela Mesa Diretora da Câmara, cuja eleição acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da anulação, a disputa interna deixou marcas profundas entre os grupos que integravam a chamada “Chapa 1” e a “Chapa 2”, acirrando a tensão dentro do parlamento municipal.
Wender Madureira integra o grupo político ligado à Chapa 1, alinhada à atual Mesa Diretora presidida por Wanderley Cerqueira (MDB). Já Caio Cordeiro faz parte do grupo de oposição dentro da Câmara, cenário que aumentou ainda mais os rumores de perseguição política e tratamento desigual na tramitação de projetos legislativos.
A denúncia rapidamente repercutiu nos corredores da Câmara e levantou questionamentos sobre possível favorecimento político, seletividade na tramitação de projetos e disputas internas por protagonismo dentro do Legislativo várzea-grandense.
Apesar da crítica pública e da insatisfação com a condução do processo, Caio afirmou que votará favoravelmente ao projeto pautado para esta terça-feira, alegando que a causa animal deve estar acima de disputas pessoais ou vaidades políticas.
O episódio também colocou em xeque a atuação das comissões permanentes da Casa e promete elevar ainda mais a tensão durante a sessão desta terça-feira (26), que deve ser marcada por embates e cobranças públicas no plenário.

























