O debate sobre a adequação do conteúdo sexual em escolas públicas ganhou força em Mato Grosso após um incidente chocante em Alta Floresta. Uma atividade de matemática, destinada a alunos de 10 anos da Escola Municipal Jardim das Flores, utilizou um cenário envolvendo o uso de preservativos e número de relações sexuais para propor um cálculo. A situação, denunciada pelo pai de uma aluna, Rodolfo Pedon, gerou indignação e levanta questionamentos sobre os limites da educação sexual e a responsabilidade das instituições de ensino.
Rodolfo Pedon relatou que sua filha, ao retornar para casa, apresentou a atividade que questionava: “Se uma pessoa usa preservativos em 80% das relações sexuais e tem 10 relações sexuais por mês, quantas vezes ela usou preservativo?”. Embora o pai não se oponha à discussão sobre sexualidade, ele considera a abordagem inadequada para a faixa etária, afirmando que o tema causou constrangimento entre os alunos.
A repercussão do caso ultrapassou os limites de Alta Floresta. O vereador por Várzea Grande e presidente da União de Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT), Bruno Rios, manifestou publicamente seu repúdio à prática. “Fica a indignação, mas o que vamos fazer?”, questionou o parlamentar, classificando a situação como um absurdo.
Rios enfatizou a necessidade de tratar temas sensíveis como sexualidade em momentos e formatos apropriados, e não inseridos em disciplinas como matemática. “Matéria de sexualidade, ela vai ser tratada num momento correto, adequado, e não de qualquer forma numa prova de matemática”, criticou. Para o vereador, a resposta à indignação deve ser a ação política resolutiva. “Então é ação com indignação, então isso sim resolve, isso é política resolutiva, e é assim que nós trabalhamos”, pontuou.
Diante do ocorrido, Bruno Rios anunciou uma medida concreta para coibir tais abordagens em todo o estado. “Aqui na Várzea Grande a gente tem ação, projeto de lei protocolado número 158 de 2025, que visa coibir isso nos nossos colégios, protegendo assim as nossas crianças”, afirmou. O presidente da UCMMAT estendeu o convite a outros vereadores mato-grossenses, disponibilizando o modelo do projeto de lei para quem desejar implementá-lo em seus municípios.
Em sua defesa, a Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria de Educação, esclareceu que a atividade em questão foi uma iniciativa isolada de um único professor e não fazia parte do planejamento oficial da rede municipal de ensino.



























