Quem fala o que quer, Escuta o que não Quer

Após pressão e notas de repúdio, presidente da Câmara de Várzea Grande recua e pede desculpas por fala sobre saúde de secretária

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A crise institucional na Câmara Municipal de Várzea Grande ganhou novos contornos nesta semana após o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira, se ver no centro de uma forte repercussão negativa ao utilizar a tribuna para mencionar o caso oncológico da secretária municipal de Comunicação, Paola Carlini.

A fala, considerada inadequada por diversos setores da sociedade, gerou indignação imediata, especialmente por envolver um tema sensível como a saúde de uma mulher que enfrenta tratamento médico. Para críticos, a tribuna — espaço destinado ao debate de políticas públicas e fiscalização do Executivo — não deveria ter sido utilizada para tratar de questões pessoais, ainda mais relacionadas a um quadro de saúde delicado.

Nos bastidores políticos, não é novidade que Wanderley Cerqueira adota postura firme e, por vezes, considerada por adversários como excessivamente impositiva. No entanto, desta vez, a avaliação predominante é de que o presidente “foi longe demais”.

A reação veio rápida. O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso e diversos canais de comunicação emitiram notas de repúdio, classificando a fala como desrespeitosa e incompatível com a responsabilidade institucional que o cargo exige. Para as entidades, expor ou utilizar um problema de saúde como elemento de discurso político ultrapassa os limites do debate democrático.

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Diante da pressão pública, a assessoria de imprensa da Câmara encaminhou nota de esclarecimento em nome do presidente, afirmando que não houve intenção de ofensa e apresentando pedido de desculpas à secretária Paola Carlini. O gesto, embora necessário, ainda não encerra totalmente o episódio.

Agora, a expectativa recai sobre o próprio plenário. Setores da sociedade e da imprensa aguardam se Wanderley Cerqueira fará o pedido de desculpas diretamente da tribuna — o mesmo espaço onde a declaração foi feita — como forma de demonstrar coerência e responsabilidade institucional.

O episódio reacende um debate importante: até onde vai a liberdade de expressão parlamentar e onde começa o limite do respeito à dignidade pessoal? Em tempos em que a política exige mais empatia e maturidade, atitudes públicas têm peso e consequências.

A retratação formal é um primeiro passo. Resta saber se haverá também um gesto público à altura da repercussão causada.

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