ASTRONOMIA

Foguete colide com a lua e aumenta preocupação com lixo espacial

publicidade

Nas primeiras horas da última quarta-feira, 5 de agosto de 2026, um pedaço de um foguete Falcon 9, da SpaceX, fez uma parada não programada na Lua. O estágio superior do foguete, com cerca de 13,8 metros de comprimento, colidiu com a superfície lunar a aproximadamente 8.700 km/h, após vagar pelo espaço por quase sete meses. O impacto, que ocorreu por volta das 3h35 (horário de Brasília), deixou uma nova cratera e se somou à crescente montanha de entulho espacial deixado pela humanidade.

A colisão aconteceu perto da Cratera Einstein, em uma região do lado oculto da Lua que estava sob luz solar. Por esse motivo, o evento foi invisível da Terra e não representou perigo imediato. No entanto, o episódio reacendeu um alerta importante sobre o acúmulo de detritos espaciais, justamente em um momento em que a corrida espacial rumo à Lua está a todo vapor, com a NASA, a China e diversas empresas privadas acelerando seus planos. Isso levanta questões cruciais sobre como descartar de forma responsável os equipamentos após o fim de suas missões.

A jornada que saiu dos trilhos

O estágio do Falcon 9 em questão foi lançado em 15 de janeiro de 2025, transportando o módulo Blue Ghost Mission 1, da Firefly, e o módulo de pouso lunar Resilience, da iSpace. Enquanto o Blue Ghost pousou com sucesso em solo lunar em 2 de março de 2025, o Resilience acabou se chocando contra a superfície em 4 de junho do mesmo ano. Após cumprir seu papel inicial, o corpo do foguete ficou à deriva no espaço, sem realizar a reentrada na atmosfera terrestre. Astrônomos acompanharam sua órbita cada vez mais instável e, em maio, confirmaram que ele estava em rota de colisão direta com nosso satélite natural.

Leia Também:  Vídeo: ataque russo na região de Donetsk deixa 2 mortos e 8 feridos

Batizado pelos pesquisadores de 2025-010D, estimava-se que o impacto escavasse toneladas de poeira e deixasse uma cratera de aproximadamente 27 metros de largura. Embora o brilho direto da colisão tenha sido ofuscado pela intensa luz solar na região, a comunidade científica esperava observar uma nuvem de poeira se elevando além do horizonte lunar, o que seria uma oportunidade única para estudar os efeitos de um choque artificial. Detalhes e imagens mais precisos devem ser divulgados nos próximos dias.

É interessante notar que, em 2009, a missão LCROSS da NASA realizou um experimento semelhante, lançando intencionalmente um estágio de foguete Centaur contra a Lua. O objetivo era analisar a pluma de detritos resultante, e essa iniciativa acabou revelando pela primeira vez a presença de água em estado de gelo na Lua aumente.

O “entulhamento” da lua só aumenta

Este recente acidente destaca o incômodo problema do lixo espacial, especialmente agora que a Lua se tornou um destino tão cobiçado. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), existem cerca de 35 mil objetos rastreados orbitando a Terra. Já dados da BBC indicam que aproximadamente 3 mil objetos feitos pelo homem foram deixados na Lua, totalizando mais de 209 toneladas. Essa lista inclui desde estágios de foguetes usados e naves aposentadas até instrumentos científicos e restos de equipamentos, acumulados desde que a missão soviética Luna 2 foi a primeira a tocar o solo lunar em 1959, sem mencionar os vestígios deixados pelas icônicas missões Apollo.

Leia Também:  Vídeo: jovem desaparece após pular no mar das Bahamas durante viagem

Com mais de 100 missões lunares planejadas para a próxima década, entre iniciativas governamentais e comerciais, cientistas alertam que a falta de rastreamento rigoroso e de regras internacionais claras para o descarte de espaçonaves pode colocar em risco futuras missões, bases humanas e áreas intocadas que guardam bilhões de anos da história geológica lunar. Sítios históricos de pouso, como os das missões Apollo, também correm risco.

A NASA, por exemplo, planeja construir uma base permanente perto do Polo Sul lunar através das missões Artemis, visando estabelecer uma “presença duradoura”. O objetivo é dar suporte a pesquisas científicas de longo prazo, testar tecnologias de sobrevivência no espaço e preparar o terreno para a eventual chegada da humanidade a Marte.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade