Em um movimento que promete sacudir o mercado de saúde no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem intensificado o ritmo na avaliação de novos medicamentos. A meta é clara: ampliar a oferta de produtos regularizados e, com isso, facilitar o acesso dos pacientes a tratamentos mais eficazes e seguros. A expectativa é que essa onda de novas aprovações também ajude a frear a busca por substâncias irregulares, que circulam sem o devido controle.
Embora muitos desses medicamentos sejam originalmente indicados para o diabetes, seu uso se estendeu, com prescrição médica, para o combate à obesidade. Um exemplo emblemático é o Ozempic, que ganhou fama mundial por auxiliar na perda de peso. “Um dos problemas que estavam sendo encontrados era o alto preço dessas canetas”, explicou Marcelo Safatle, diretor da Anvisa, em conversa com jornalistas nesta terça-feira (4). “Quando você amplia a concorrência com novos entrantes regularizados, isso gera uma redução de preço e ampliação do acesso”, completou.
Safatle fez questão de ressaltar que a Anvisa só autoriza medicamentos que comprovam rigorosamente sua eficácia e segurança. Na semana passada, a agência deu um passo importante ao aprovar o registro de cinco novas canetas com semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic. São elas: Orsema, da Ranbaxy; Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Pharma; Semavy, da Cosmed; e Zempneo, da Brainfarma. Atualmente, outros quatro pedidos de registro de medicamentos à base de liraglutida e mais quatro de produtos com semaglutida estão em análise. Há ainda cinco processos cuja avaliação está prevista para começar em 2027.
Com essas novidades, o Brasil já conta com 21 canetas autorizadas, incluindo tratamentos com semaglutida, liraglutida e tirzepatida, como o Mounjaro. Para Safatle, essa diversificação de opções tem o potencial de posicionar o país como um dos maiores mercados de agonistas de GLP-1 do mundo. “O Brasil tem tudo para ser o mercado com maior concorrência do mundo no segundo semestre, pelo número de opções que teremos regularizadas aqui no país”, afirmou o diretor.
Acordo contra o contrabando e novas regras em vista
Mas as ações da Anvisa não param por aí. Além de acelerar os registros, a agência está prestes a firmar um acordo com a agência regulatória do Paraguai. O objetivo é claro: compartilhar informações sobre medicamentos e intensificar o combate ao contrabando e ao uso de produtos irregulares, um problema crescente. Dados da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu revelam um aumento assustador de cerca de 1.000% nas apreensões de remédios dessa classe em apenas um ano.
Paralelamente, a Anvisa trabalha em uma nova regulamentação para a importação e manipulação dessas canetas. Entre as medidas em estudo está a exigência de critérios de qualidade rigorosos para a importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), como a apresentação do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF). Outra proposta visa criar um sistema de vigilância para que farmácias de manipulação sejam obrigadas a notificar possíveis eventos adversos relacionados ao uso de canetas manipuladas.
A discussão sobre essas novas regras segue em andamento na diretoria colegiada da Anvisa. Em maio, o diretor Thiago Campos solicitou vista do processo, o que retirou o tema da pauta de votação para que mais informações fossem reunidas. Segundo Safatle, a agência está empenhada em coletar todos os dados necessários antes de tomar uma decisão definitiva que garanta a segurança e o acesso dos brasileiros a medicamentos de qualidade.




























